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Concluída primeira etapa da pesquisa “Juventudes Sul-Americanas” PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redação colaborou Fabiana Born   
Ter, 30 de Setembro de 2008 12:21

Brasil

Da Redação

Colaborou Fabiana Born

Chega ao fim a primeira etapa da pesquisa “Juventudes Sul-Americanas: diálogos para a construção da democracia regional”, coordenada por Ibase e Instituto Pólis. O trabalho, que teve início em março deste ano, foi finalizado em setembro. Entre os objetivos desta fase, que contou com a participação de cerca de 400 jovens e especialistas em juventude em seis países da América do Sul, está sistematizar, dar visibilidade e promover o reconhecimento e a incorporação das demandas juvenis na agenda de políticas públicas.

 

Foram realizados 38 grupos focais em cada um dos países parceiros – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai –, objetivando a análise e a discussão de seis demandas para a juventude. São elas: educação, trabalho, fruição e produção cultural, segurança e vigência dos direitos humanos, ecologia e circulação e mobilidade. Tais demandas foram mapeadas a partir de entrevistas com jovens, pesquisadores(as) e técnicos em pesquisa anterior, “Juventude e Integração Sul-Americana: Caracterizações de situações-tipo e organizações juvenis”, realizada pela mesma rede parceira envolvida na pesquisa atual.

Os grupos focais (GF) – criados para discutir e levantar propostas sobre um determinado tema, compostos por jovens de organizações nacionais que trabalham com o tema juventude – confirmaram a relevância das seis demandas definidas. Porém criticaram a ausência de outras como gênero, direitos sexuais e reprodutivos, saúde e questões pontuais como a objeção ao serviço militar obrigatório. As críticas recebidas demonstraram a relevância da pesquisa, à medida que para cada um dos grupos, constar no levantamento significa estar representado e garantir sua visibilidade.

Segundo o pesquisador do Ibase, Maurício Santoro: “Questões como passe livre, educação e trabalho apareceram em todas as pesquisas de todos os países, independente do nível de desenvolvimento de cada um. Isso foi surpreendente”.

A equipe boliviana, coordenada por Mario Yapu, destacou a coincidência entre as demandas levantadas pelas nações da América do Sul, justificando que os problemas enfrentados pelas juventudes destes países são semelhantes, apesar de haver variações de características devido às especificidades de cada região. A opinião é confirmada pela equipe paraguaia, coordenada por Luis Caputo: “existem demandas comuns, mas as ênfases expressam visões particulares de acordo com a trajetória de cada grupo”.

As opiniões expressas pelas duas equipes podem ser exemplificadas por dados pertinentes aos relatórios dos dois países, como as demandas: “apoio às atividades desportivas”, pleiteada pela Associação de Cultura e Esporte San Isidro del Plan 3000, de Santa Cruz, Bolívia, e “acesso ao crédito e à terra”, pela juventude rural do Paraguai.

Para Regina Novaes, consultora da pesquisa, a coincidência de demandas se deve ao fato de que diferentes coletivos juvenis que participaram da pesquisa nos seis países vivem um mesmo momento histórico em que mudanças tecnológicas, econômicas e sociais atingem particularmente jovens e ultrapassam fronteiras nacionais. “Entretanto há diferenças que dizem respeito à cultura, à história política e à composição social de cada país”.

No caso brasileiro, temos questões de educação e trabalho. Para os grupos culturais de periferia, a demanda educação significa ter acesso e condições de permanência no sistema escolar e a demanda trabalho significa ter condições de fazer arte e cultura. Para jovens do MST, estas bandeiras também implicam em maior acesso a crédito para o empreendedorismo juvenil no campo e reabertura de escolas técnicas.

Contudo, Regina conclui que o mais importante a destacar é o fato dos grupos focais representarem uma oportunidade para ouvir jovens refletirem sobre os conteúdos, os obstáculos e os caminhos que devem ser percorridos para lograr respostas para suas demandas.


Histórico

A pesquisa “Juventudes Sul-Americanas: diálogos para a construção da democracia regional” está organizada em três etapas: realização de grupos focais para discussão das demandas da pesquisa anterior com outros segmentos juvenis, visando conhecer um pouco mais jovens sul- americanos(as); pesquisa de opinião pública para comparar o comportamento de jovens com o do restante da população; e realização de grupos de diálogo, buscando a construção de um espaço coletivo de interlocução entre grupos juvenis que contribua para universalizar os direitos de jovens e ampliar a integração da América do Sul.

A segunda etapa, referente à pesquisa de opinião pública, está em andamento. O Ibobe, responsável por esta fase, concluirá em outubro os 15 mil questionários que estão sendo aplicados nos seis países integrantes da pesquisa. O Brasil responderá por cerca de 25% do total. O número de questionários, assim como a quantidade de entrevistados(as) por faixa etária e classe econômica, foi definido de acordo com o censo de cada um dos países participantes.

Regina destaca o pioneirismo desta etapa em duas dimensões: “Em primeiro lugar, até onde sabemos, nos seis países nunca se fez uma pesquisa em que os entrevistados de todas as idades respondam questões sobre a juventude de hoje. No entanto, essas questões envolvem toda a sociedade. Em segundo lugar, também até onde sabemos, nunca se fez uma pesquisa sobre juventude – com uma amostra nacional representativa – que permitisse comparar os seis países”.

Para ela, estes dois motivos, “fazem com que tenhamos uma grande expectativa de analisar os resultados”. A opinião é compartilhada por Santoro, que se diz ansioso pelos resultados. Os(as) pesquisadores(as) avaliam que será uma importante contribuição para a melhor compreensão das questões juvenis, para o fortalecimento dos movimentos e organizações de jovens e para o desenho de políticas públicas para a juventude, em cada país e no âmbito do Mercosul.

O trabalho será encerrado com a realização dos grupos de diálogo, no primeiro semestrede2009.

Em breve publicaremos mais informações sobre a segunda etapa.

Leia os relatórios nacionais

Argentina

Bolívia

Chile

Paraguai

Uruguai






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